Site em Manutenção.
 
 
   Home
   Atividades
   Institucional
   Histórico
   Álbum
   Relatório
   Publicações
   Estrutura
   Território
   Destaque
   Nossos Projetos
   Parceiros
   Fale conosco
 
Atividades

Marco Teórico das Ações de Nutrição

Nutrição é o campo de atividade mais antigo do PPSJ, remonta à sua fundação e contribuiu significativamente para a sustentação da vida de inúmeras crianças durante todos esses anos.

A desnutrição é uma deficiência calórico-protéica que acomete a criança e prejudica todo o seu desenvolvimento cognitivo x movimentos, psicológico e social. Na Região Nordeste, TELES (2002) mostra que a cada cinco crianças menores de 5 (cinco) anos, apresentam desnutrição e têm um déficit de altura para idade.

A desnutrição é o fator principal de contribuição para a alta morbidade e mortalidade infantil nos paises subdesenvolvidos. Não há estimativas suficientes e precisas sobre a incidência e prevalência da desnutrição. Poucas partes do mundo têm estatísticas mostrando esses dados. O número de crianças que sofrem de desnutrição é desconhecido, porém é sabido que a maioria das crianças de baixa renda no Brasil já passaram por algum tipo de desnutrição.

Segundo o Estudo Nacional de Defesas Familiares (ENDEF), existiam no Brasil há aproximadamente 20 anos atrás, quase 08 (oito) milhões de crianças, menores de cinco anos, portadoras de algum grau de desnutrição – pela classificação de COSTE (1978: 85). O nordeste brasileiro, com 1/3 da população do país reunia a maior parte.

A Desnutrição é resultado de um complexo de fatores sociais econômicos, patológicos e entre os principais, destacaremos os que seguem:

Dieta – O desequilíbrio entre as proporções de proteínas e de carboidratos devido à ingestão inadequada de alimentos.

Infecção – Atuam principalmente como fatores desencadeantes.

Fatores Psicológicos – Podem ser muitas vezes relevantes na Desnutrição. Por exemplo, a privação materna, quando a mãe tem que se afastar ou mesmo se ausentar da convivência com o filho, sendo traduzida pela criança, principalmente, por anorexia.

Situação Sócio-Econômica - Denominador comum de todas as doenças que prevalecem em países de áreas pobres, tendo como principais agravantes o nível educacional da mãe, a renda familiar insuficiente, habitações insalubres com precário saneamento.

Insuficiente Produção de Alimentos – Baixa produtividade agrícola da terra, carência de alimentos, alto custo dos alimentos.

Padrões Culturais – A não utilização dos recursos naturais pode ser devido ao conhecimento inadequado do que a criança pode e deve comer assim como de atitudes, tabus, crenças e preconceitos em relação a determinados tipos de alimentos.

Nutrição Materna – Nas áreas subdesenvolvidas, pouca atenção é dada à dieta da gestante. Sabe-se a grande necessidade nutritiva apresentada pelo feto, tornando de suma importância a qualidade alimentar da gestante.

Desmame Precoce – É o período de desmame uma fase crítica na ecologia nutricional da criança nos primeiros meses de vida, a introdução inadequada de prática alimentar artificial representa um grave risco para Desnutrição. Muitas mães, pertencentes a nível sócio-econômico baixo efetuam o desmame de seus filhos precocemente, alegando enfraquecimento ou falta de leite; porém, sem terem o que ou como oferecer outro tipo de alimentação; empregam pouca quantidade de leite pasteurizado no preparo da mamadeira ou ainda dispensam alimentos de grande valor nutritivo, tais como ovo e feijão, por crendices e preconceitos.

“Meu filho tava só o couro e o osso, já nasceu desnutrido. A alimentação que eu tinha em casa era ‘peia’ do homem. O pai foi embora e eu chorava dia e noite, imaginando como era que eu ia dar de comer aos meus filhos. Só me alimentava porque a vizinha me dava. O que dói é não ter condições para melhorar de vida. Meus filhos eram magros porque eu passava fome e aí quando eu tava grávida a barriga consumia tudo o que eu tinha de sustância, foi aí que eu ouvi falar do Projeto, por intermédio da dona Eva. Depois que passamos a receber o leite de soja os maiores ‘desarnaram’ na escola, os pequenos tiveram até mais força de brincar. Hoje dá até gosto de ver. E tem mais, a dona Neidinha e mais algumas mães do projeto é quem me ensinam a aproveitar as sobras de comidas e as coisas que tem lá no fundo do quintal, agora, em tudo o que eu aprender vou ensinar para outras mães que também vivem no mesmo aperreio que eu.” (Maria Aparecida, mãe atendida pelo PPSJ).

Distribuir leite não fará das crianças menos pobres, mas é irreal desprezar a segurança alimentar como fator importante no desenvolvimento humano. A importância de uma boa alimentação como um dos fatores de proteção da criança é amplamente reconhecido.

As ações no campo da nutrição deverão ser montadas dentro do objetivo de capacitar as famílias a oferecer uma refeição de boa qualidade aos seus filhos. Para as crianças em risco nutricional ou desnutrida o PPSJ disponibilizará 1 litro de leite de soja diariamente além de trabalhar na melhoria do relacionamento dos pais com seus filhos. Cursos de capacitação no uso dos alimentos disponíveis e de baixo custo para que as famílias possam melhorar sua ingestão nutricional serão oferecidos bem como acompanhamento do status nutricional das crianças até os 8 anos de idade. Palestras cobrindo temas correlatos como saúde, relacionamento familiar, dentre outros temas, também serão oferecidos.

Parcerias com instituições que possam apoiar projetos de segurança alimentar (hortas familiares, criação de pequenos animais) e mesmo projetos de geração de trabalho e renda poderiam potencializar o impacto das ações do PPSJ no campo nutricional.

Marco Teórico das Ações do Núcleo Lúdico

Pesquisadores e a experiência prática ensinam que a qualidade da aprendizagem está mais ligada à “bagagem” que essa criança traz de sua vivência pré-escolar e familiar do que à qualidade da escola per se. Assim, se pretendemos um modelo de desenvolvimento socialmente justo, temos de dedicar especial atenção às técnicas de DIC (Desenvolvimento Inicial da Criança) que podem desempenhar um papel vital na garantia de um processo educativo eficiente para o rompimento com o ciclo da pobreza.

DIC não pode ser confundida com atenção à infância, em si são maneiras bastante diferentes de enxergar a criança e seu desenvolvimento humano. Dentro das diversas técnicas de DIC, o PPSJ acredita que a construção de uma estratégia de fortalecimento dos fatores protetores do desenvolvimento infantil é a maneira mais eficaz de abordar a questão.

Como fatores de proteção individuais podemos mencionar a auto-estima, a autonomia, a criatividade e o humor; como fatores de proteção externos podemos mencionar as relações familiares, identidade cultural, identidade étnica e a existência de uma rede social de auxílio.

O fortalecimento desses fatores não irá fazer com que essas crianças se tornem menos pobres, somente quer dizer que poderão “confrontar e transformar os riscos e adversidades resultantes da pobreza e opressão social, da falta de estrutura familiar(...)”(Gerosa, La resiliencia y los programas de desarrollo infantil).

Essa capacidade de fornecer uma resposta qualitativamente superior ao ambiente pode ser estimulada através dos fatores protetores, utilizando para isso a metodologia lúdica, esportes, jogos, artes, programas de protagonismo juvenil e programas de educação das famílias para melhoria do relacionamento familiar.

Assim, trabalhar o desenvolvimento infantil representa aumentar a capacidade social dessas pessoas. Desse modo o PPSJ acredita que não somente as crianças e suas comunidades terão melhores respostas, como também poderão aproveitar melhor as oportunidades que surgirem, sejam no campo educacional ou em outro qualquer.

O PPSJ já desenvolve há alguns anos atividades de DIC em recantos lúdicos para crianças de 0 a 7 anos. Nossa experiência demonstra que as crianças de 8 a 10 anos, apesar de terem atividades específicas para elas (circo, futebol e música) gostam muito de ficar nos recantos lúdicos, às vezes preferindo isso às atividades destinadas a elas. Dessa forma, para melhor segmentar suas ações, o PPSJ irá desenvolver as atividades de recantos lúdicos em 2 módulos, um destinado as crianças de 0 a 6 anos, caracterizado pelos Parâmetros Curriculares como educação infantil e outro espaço lúdico para crianças de 7 à 10 anos e, para estes, também atividades circenses.

Marco Teórico das Ações com Jovens

A adolescência é um período de transição entre a infância e a vida adulta, as tarefas e desafios desse período são todos relacionados a fazer essa transição. A adolescência é o período no qual o indivíduo enfrenta a tarefa de estabelecer uma identidade própria satisfatória e vínculos interpessoais além da família, inclusive namoro. Tem de aprender a lidar com o desenvolvimento de sua maturidade sexual de uma maneira responsável e desenvolver capacidades para ter viabilidade econômica, incluindo aí educação, habilidades, atitudes e hábitos. A família do adolescente, seus amigos, vizinhos, o meio, a escola e outras associações, podem ajudar ele a completar essas tarefas, ou podem colocar barreiras significantes, as quais o jovem não consegue superar sem ajuda.

Podemos começar a ajudar os jovens uma vez que entendamos como até mesmo os comportamentos menos desejáveis refletem ou as tentativas deles de enfrentar seus desafios ou uma ambivalência sobre se querem ser adultos ou permanecer crianças ou ainda, conseqüência de sua percepção de que nunca conseguirão superar os desafios da adolescência.

O envolvimento da juventude é imprescindível em cada passo das ações do PPSJ. A juventude deve estar envolvida ajudando a identificar necessidades e estabelecer metas e ajudando a desenhar as atividades nas comunidades que devem ser atrativas e acessíveis à juventude. O PPSJ espera aprender mais sobre os desafios para os jovens nas suas comunidades e famílias e criar um ambiente no qual os jovens possam dar uma contribuição positiva tanto para o seu próprio desenvolvimento como para o das suas comunidades.

O PPSJ entende que empoderamento da juventude deve ser visto como desenvolvimento de iniciativas que ajudem as corrigir uma situação injusta e destrutiva no nível comunitário. Para alcançar tal objetivo o PPSJ tem de facilitar o desenvolvimento de lideranças juvenis e fortalecer os esforços de auto-empoderamento dos jovens fornecendo apoio nas ações conjuntas entre jovens e suas comunidades.

O trabalho com os jovens será dividido igualmente em 2 módulos, sendo o primeiro para os de 11 a 14 anos e o segundo para os jovens organizados em grupos. Para os jovens de 11 a 14 anos o PPSJ continuará a oferecer as atividades que já oferece hoje de artes, com bandas de percussão utilizando material reciclado, futebol e artes circenses. Para os jovens organizados em grupos das comunidades aonde atua, o PPSJ apoiará suas ações, para isso contando também com o apoio de outras instituições e ong´s, bem como apoiará a troca de experiência com outros grupos de jovens da região.

Diversos grupos de jovens já vêm naturalmente ao PPSJ para usar do acesso à internet e discutir suas ações com a equipe. Desse modo é muito natural que o PPSJ inclua em seu planejamento o apoio técnico e logístico, bem como pequenos apoios financeiros para execução de alguma atividade de impacto.

Uma ação paralela às acima descritas é a instalação pelo PPSJ de escolas de informática e cidadania nas comunidades aonde atua, replicando assim a experiência muito exitosa da EIC Suzanne Jacob, localizada no João XXIII onde o PPSJ conseguiu excelentes resultados na mobilização e articulação dos jovens da comunidade, utilizando para isso a ferramenta computacional como instrumento de fortalecimento da cidadania e do empreendedorismo dos jovens além de reduzir a exclusão tecnológica desses jovens.